Amigas!
Este é um post da Fê, minha amiga, pra parecermos normais, ou seja, mesmo sem blog, tem gente que precisa de um pra desabafar...gritar ao mundo os problemas do coração!
Isso é muito importante... Falar que comeu meio pedaço de chiclete e engordou 5kilos, não nos fazem mudar... no máximo emagrecer...
Mas descobri que a barriga fica na cabeça... Se cabeça pifa... a barriga come! E come muito! Ou pra algumas, não come nada...
É isso:
Amiga, bom dia!
Estou sentindo uma imensa necessidade de dividir minhas neuroses com alguém. Estou com uma sensação esquisita de vazio, acho que é falta do que fazer.
Eu tenho um bom emprego, estou com o corpo em dia, tenho um namorado que me mima, moro com minha mãe numa casa normal, que é própria e não me preocupar com o aluguel é realmente muito bom. Verdade que minha casa não é decorada do jeito que eu gostaria.
Mas isso realmente não seria decisivo para que eu me sentisse completa, pois eu já tive a tal casa "dos sonhos" com a minha cara, já tive fases tanto de solteirice como de namoros felizes, já estive mais gorda uns 13 kg e mais magra uns 8 kg e nada disso nunca foi pré-requisito pra fazer com que me sentisse completa ou incompleta.
Uma amiga minha comentou comigo semana passada que está faltando alguma coisa na minha vida e não soube explicar o quê. Nem eu sei, o fato é que eu concordo com ela. Tenho sentido falta de um montão de coisas que me prometeram nos contos de fada e nunca pude exigir de ninguém.
Pra começar, não fui feliz pra sempre, não me casei com o príncipe encantado, não morei num castelo, não tive animais falantes ao meu redor. Bem verdade que a minha cachorrinha salsichinha é bem comunicativa e parece até que me entende por certos momentos, mas não fala comigo, não me ajuda a me vestir para o baile, não cantamos juntas lindas canções. Amiga, papo de surtada, ok, mas quem não surta?
Meu namorado é um amor de pessoa, carinhoso, romântico, é mais novo que eu 4 anos, tem um olhar muito meigo, não tem maldade no coração, é realmente um fofo e é muito dedicado a mim. Mas eu sinto um descompasso no que diz respeito ao lado profissional, pois ele não tem muita iniciativa, ele tem 23 anos, é formado em Administração, mas pra não ser leviana e dizer que não quer nada com a hora do Brasil, ele não quer muito com a hora, afinal trabalhae ele trabalha, mas é desorganizado com horários, adora dormir e deixa tudo pra depois, vive dizendo que não tem tempo pra nada, mas pudera, dorme até os olhos não aguentarem mais!!! Observe, amiga, escrevi, desesperada, a palavra aguentar sem trema, fato que para mim seria imperdoável até o dia 31 de dezembro de 2008.
Enfim, eu tenho um fofo do meu lado, mas meu fofo é meio paradão profissionalmente. Mas olha que coisa: meu ex era viciado em trabalho, só falava de trabalho, deixava de estar comigo para trabalhar, viajava a trabalho, era totalmente o oposto e eu era infeliz e me sentia sozinha. Eu o admirava profissionalmente, e até sentia inveja do tesão dele pelo trabalho dele, algo que nunca senti pelo meu trabalho, mas era um fardo ter que ser deixada de lado por namorar um 'workaholic' (expressão utilizada para denominar os viciados em trabalho. Traduzindo, seria algo como trabalhólatra, como o alcoólatra, mas a cachaça seria o trabalho).
Amiga, eu sei, vc e as suas amigas leitoras devem estar pensando: "essa menina não sabe o que quer" - talvez eu realmente não saiba, mas cá pra nós, alguém aí sabe?!
Bem, eu fiz Direito mas sou toda errada. A teoria é show de bola, mas a prática é engessada, não se faz justiça no Brasil. Ok, não fiz Direito por ser justiceira. Fiz essa faculdade pra fazer um concurso e ganhar bem o bastante pra tirar férias legais todos os anos. Tenho estudado para passar num bom concurso, já até passei num concurso, mas horroroso, bem xexelento pra ser sincera, e pedi exoneração por não ser o ideal para mim. Depois resolvi fazer vestibular para ser Assistente Social, afinal sou sensível aos problemas e desafios da humanidade, mas não sou tão altruísta assim. Fui fazer esse curso pois há boas chances no mercado concurseiro e a concorrência é bem menor do que para os formados em Direito. Passei pra UFRJ, fui a 5ª colocada, mas quando cheguei lá conheci um tal de Karl Marx que me fez desistir sem pensar muito. Ele me disse: "-Pede pra sair, 08!!!". E eu saí.
Eu tive um relacionamento de quase 4 anos com uma pessoa de quem gostei muito. Eu fui muito feliz com ele, mas muito triste também. Não dá pra resumir a história aqui. O fato é que eu não me sentia retribuída, não era a vida que eu queria para mim. Mas qual será?! Eu ainda não sei. Ou até saiba, mas não saiba exatamente como chegar a ela. Eu gosto de estudar, me considero inteligente, mas acho que ainda não é o suficiente para passar no concurso que eu quero, e isso me frustra. às vezes acho que tá me faltando disciplina, às vezes acho que tá me faltando estímulo, sei lá.
A vida é real. A vida não é um conto de fadas. Até que não seria nada mal chutar tudo e ir pra Natal ou Fortaleza, mas como? Abandonar meu emprego que me sustenta e paga as contas de casa? Acho que não. Falta coragem. Falta peito. Sobra juízo.
Amiga, eu queria uma porção de coisas, como cantar mais vezes ou até profissionalmente, viajar para lugares exóticos e paradisíacos, ter um trabalho descolado que não me esquentasse a cabeça e me remunerasse excelentemente... Mas aí repito: Quem não queria?!
Então me pego fazendo um monte de questionamentos a respeito do que foi e não foi, do que seria, do que deixou de ser... Em vão. O ser humano é assim. Insatisfeito, na eterna busca. Se tem dinheiro, quer amor. Se tem amor, quer dinheiro. Se tem uma casa na praia, vislumbra a do campo. Se é gordo, quer emagrecer. Se passa fome, quer comer. Se está calor, reclama, se faz frio, também reclama. Amiga, que insatisfação é essa?! Não queria ser uma pessoa conformada, sem gana, sem aspirações, mas também não queria ser assim tão ambiciosa, tão indecisa, tão...
Há dias em que estou tranquila (ai, sem trema de novo!!), mas há muitos dias em que fico nessa paranóia, me achando infeliz, em trevas. Eu sou feliz, eu sou infeliz. Eu sou boa, sou ótima, sou má, sou péssima. Eu sou eu. E se vc ou alguém se reconhecer nessas loucuras, não se julgue. Um dia todos vamos morrer e viver com culpa não leva a nada, só a uma vida angustiante.
Amiga, sei que nada disso faz sentido. Mas a vida em si não faz o menor sentido. A mente humana é mais inalcançável que o centro da Terra.
Acho que estou com um enorme vazio sim. Esse vazio é explicável por momentos de sanidade: Eu não tenho efetivamente um problema bastante sério e tenho tempo de sobra pra ficar divagando sobre o rumo que minha vida levou. Vê se os mortos de fome lá na África têm tempo pra essas sandices?
Amiga, é só fase. Vai passar. rsrsrs
O que importa é ter saúde!
Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, compositores daquela banda que vc não entende uma letra, diz assim em uns versos:
"Num retrato-falado eu fichado
exposto em diagnóstico.
Especialistas analisam e sentenciam:
Oh, não!
Deixa ser como será.
Tudo posto em seu lugar.
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser.
Como será.
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê."
Beijos, boa semana, aproveita que amanhã é feriado! Amo-te imensamente.